Poesia: Minha terra antigamente – Autor: Jurdan Gomes

 Poesia: Minha terra antigamente – Autor: Jurdan Gomes

Uma galinha ciscando
NO terreiro de Maria
Ovos dentro da bacia
Pra Chica vender na feira
O pretume da chaleira
Da fumaça do fogão
Uma esteira no chão
Pra um pançudim se sentar
Depois comia o fubá
Que era a merenda existente
Ficava alegre e contente
Satisfeito se benzendo
Isso é mesmo que eu tá vendo
Minha terra antigamente

Um pote numa furquilha
Na boca um pano bordado
Um cachimbo bem guardado
Nas brechas de um caritó
Um retrato de vovó
Disbotado na parede
Os tornos de armar rede
NO alpendre do oitão
Uma gagaia no chão
Para o transporte existente
Um jumento vei demente
Tou simplesmente dizendo
Isso é mesmo que eu tá vendo
Minha terra antigamente

Um porco fuçando as fezes
Na sintina de padim
Maria de Joaquim
Rodando um fuso no dedo
A carreira de Zé Pedo
Atrás dum garrote manso
Cada grota com remanso
No coice da inchorrada
Gangila dando risada
Se mostrando bem contente
Só com um dente na frente
Tou simplesmente dizendo
Isso é mesmo que eu tá vendo
Minha terra antigamente

Riba e Aquiles jogando
Pessoa dizendo prosa
A corrida de seu rosa
NO mato todo fechado
Lá enriba do mercado
A difusora bradando
Cotinha se lambuzando
Com talco com cheiro forte
Era pra tentar a sorte
Agradando seu cliente
Querendo ser atraente
Tou simplesmente dizendo
Isso é mesmo que está vendo
Minha terra antigamente

Dona Guidé com bravura
Fazendo a educação
As quadrilhas de São João
Valdir Pereira gritando
Amélia se perfumando
Zeca Galo de bituca
Teresinha mais Patuca
No cafezim da esquina
Mariano e Rosalina
Fazendo mala refresco
Raimundinho bolo fresco
Vendendo pra toda gente
Pão de ló com café quente
Altino e Buiu comendo
Tou simplesmente dizendo
Isso é mesmo que eu tá vendo
Minha terra antigamente

Fogos em busca do céu
Na festa da padroeira
Cantando Santa Nogueira
Uns benditos de Maria
Quando o padre se benzia
Começa a procissão
Na frente da multidão
Zé Paulino com um cruz
Era amigo de Jesus
Com seu jeito humildimente
Católico fiel descente
Tou simplesmente dizendo
Isso é mesmo que eu tá vendo
Minha terra antigamente

As pedras de Chico Caeira
Que deram origem a nassau
No salgado exposto cal
Na lateral da caeira
A casa de serradeira
Nas encostas do sagui
Na caatigueira Valdir
Atraia multidão
Mestre Chico com o bom pão
Manel da Silva vexado
Major de Braz agastado
Com menino e com muié
No monte alvão seu Bizé
Na intans Neguim Dodô
Chico Hermínio o precursor
Com seu prestígio vigente
Dando incentivo ao crente
Tou simplesmente dizendo
Isso é mesmo que tá vendo
Minha terra antigamente

Zeca Abílio recitando
Versos com sabedoria
Do grande Gonçalves Dias
Ainda uma vez adeus
Na leva de versos seus
Se encontra Maria Helena
Lá na cozinha de Lena
Fazia declamação
Batia no coração
Com aceno verdadeiro
Dizendo meu amor primeiro
O prazer de minha vida
Mas ele já fez partida
Versos não me recita mais
NO campo santo ele jaz
Figura impoluta ausente
Se foi e deixou a gente
Tou simplesmente dizendo
Isso é mesmo que eu tá vendo
Minha terra antigamente

Pulos de cima da pedra
Na pequena cacheira
Lá e no açude barreiras
De cima da galeria
O futebol de magia
De Rocélio é Chico Alberto
Ganhava quem estava perto
Contemplando a perfeição
A pedra do gavião
A casa da bolandeira
Os mangueiras do teixeira
Nas terras de seu lolor
O poço de seu doutor
A cruz do padre sem sorte
A gente tem que ser forte
Pra não chorar de repente
Embora bem condolente
Com saudade estou dizendo
Isso é mesmo que eu tá vendo
Minha terra antigamente

Nossa mera juventude
Com futebol serenata
Querendo iludir as gata
Dedilhando um violão
Tive uma grande paixão
Oculta foi desafio
Do outro lado do rio
Morava a loira singela
Inda existe a casa dela
Mas ela está bem ausente
Mas trás lembrança pra gente
A paixão venci sofrendo
Isso é mesmo que eu tá vendo
Minha terra antigamente

Os prefeitos Zé Aquiles
Chico Pinheiro Zé Sobreira
Chico Abílio por Fronteiras
Depois veio a Rubens Batista
Valdir Bezerra na lista
Depois Osmar Sousa vem
Marcelo fez muito bem
Tá na no coração do do povo
Osmar Sousa veio de novo
Pra governar nossa gente
O passado está presente
Cada um com seu legado
Isso deve ser lembrado
Com muita satisfação
Devemos ter gratidão
Por esses homens valentes
Tou simplesmente dizendo
Isso é mesmo que eu tá vendo
Minha terra antigamente

Hoje o tinindo assombroso
Das balas de trinta e oito
Os pipoco dando açoito
Nos buracos dos ouvido
O clamor o alarido
De quem só é deseja paz
Isso acontece demais
Desrespeito e rebeldia
Falo isso é o que hoje em dia
A violência indecente
Falta sossego pra gente
Isso nos faz sentir dó
Sendo assim foi bem melhor
Minha terra antigamente

 

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